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Compreendendo alterações motoras no Autismo 

As dificuldades motoras em pessoas com diagnóstico de autismo são bastante diversas e podem influenciar significativamente a vida cotidiana e social, uma vez que comprometem diferentes aspectos do movimento. 

Essas alterações motoras podem impactar o desenvolvimento cognitivo, social e emocional das crianças com TEA (Transtorno do Espectro Autista). Isso ocorre porque habilidades motoras, como sentar, levantar, segurar objetos e caminhar, são fundamentais para que elas explorem o ambiente, aprendam novas experiências e estimulem o processo de aprendizagem. 

Para compreendermos os desafios motores enfrentados por pessoas com diagnóstico de TEA, é importante conceituarmos: 

  • O que é desenvolvimento motor 
  • Quais são as alterações encontradas na área motora do TEA 

O que é o desenvolvimento motor? 

Desenvolvimento motor é o processo pelo qual uma pessoa adquire e aperfeiçoa habilidades de movimento ao longo da vida — desde o nascimento até a fase adulta. 

Ele envolve tanto os movimentos amplos (habilidades motoras grossas, como engatinhar, andar e correr) quanto os movimentos precisos (habilidades motoras finas, como pegar objetos pequenos, escrever ou desenhar). 

Esse desenvolvimento depende da maturação do sistema nervoso central, da interação com o ambiente e da prática. É essencial para a autonomia da criança e influencia diretamente outros aspectos do crescimento, como o aprendizado, a linguagem, a socialização e a autoestima

No autismo, alterações no funcionamento cerebral afetam essas habilidades, o que pode dificultar o aprendizado e a realização de atividades rotineiras. 

Alterações encontradas no desenvolvimento motor em indivíduos com TEA 

Déficit no planejamento motor e equilíbrio 

Pessoas com TEA podem apresentar dificuldades no planejamento motor, ou seja, têm mais dificuldade para planejar e executar movimentos complexos

Isso afeta: 

  • Habilidades motoras finas (segurar objetos, pegar lápis, abotoar camisas, amarrar cadarços) 
  • Habilidades motoras grossas (mudanças posturais, manter-se sentado, andar de bicicleta, correr) 

Esse déficit pode impactar atividades diárias como vestir-se, alimentar-se e participar de tarefas cotidianas

O déficit de equilíbrio compromete a participação em atividades físicas e sociais, além de afetar a independência e a qualidade de vida

Hipotonia e alterações posturais 

A hipotonia (baixa tonicidade muscular) é uma característica frequente e afeta a coordenação, dificultando a execução de movimentos fluidos

Também são comuns: 

  • Alterações posturais, que dificultam manter uma postura adequada 
  • Prejuízos em atividades que exigem precisão, como desenhar ou escrever 
  • Alterações no padrão de marcha, como a marcha em pontas dos pés, que interfere na postura, mobilidade e participação 

Alteração da marcha 

Pessoas com diagnóstico de TEA frequentemente apresentam a marcha equina (andar na ponta dos pés). 

As causas podem incluir: 

  • Comportamento 
  • Déficit motor 
  • Alterações sensoriais 
  • Desordens oculares 
  • Alteração do eixo gravitacional 

É fundamental uma avaliação de fisioterapeutas e psicólogos para elaboração de um plano de intervenção adequado, evitando prejuízos funcionais, como contraturas musculares e perda de amplitude de movimento

Movimentos motores repetitivos (estereotipias) 

Os movimentos estereotipados são comuns no TEA, como: 

  • Bater palmas 
  • Balançar as mãos 
  • Girar objetos 
  • Balançar o corpo 

Esses comportamentos são classificados como alterações motoras no TEA porque: 

  • Não têm função adaptativa clara 
  • Indicam alterações neurológicas 
  • Podem interferir na atenção, interação social e aprendizagem 
  • Estão associados à autorregulação (lidar com ansiedade ou estímulos sensoriais intensos) 

Importância da fisioterapia e psicomotricidade como abordagens terapêuticas para alterações motoras no TEA 

Fisioterapeutas e psicomotricistas atuam diretamente nas alterações motoras do TEA. 

Primeiramente, realizam uma avaliação individualizada e, em seguida, elaboram um plano terapêutico com base nos: 

  • Resultados das escalas avaliativas 
  • Objetivos familiares relatados na anamnese 

A fisioterapia utiliza exercícios e técnicas específicas para: 

  • Desenvolver habilidades motoras básicas 
  • Promover atividade e participação social e escolar 

A psicomotricidade trabalha o corpo, mente e emoções, promovendo: 

  • Expressão corporal 
  • Interação com o ambiente 

A identificação precoce dessas alterações permite ações rápidas de profissionais e familiares, potencializando o desenvolvimento motor e impactando diretamente o desempenho cognitivo, social e comportamental

Conclusão 

Os impactos motores no autismo variam de intensidade e podem afetar significativamente as atividades do dia a dia

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